OS ENGRAXATES E A TIRIRICA
OS ENGRAXATES E A TIRIRICA
No início do século XX, a cidade de São Paulo crescia em ritmo alucinante. O processo da industrialização, a mão operária e os trabalhos informais multiplicaram-se na terra da garoa, e nesse embalo surgiria a figura dos engraxates, ao lado dos carregadores de caixas das estações ferroviárias e dos estivadores, e a tiririca, o jogo de pernada paulista, uma espécie de capoeira sambada, acompanhada de batuques e sambas de demandas.

Com os engraxates da região central essa batucada acontecia nas caixas e nas latas de graxa e, geralmente, na Praça da Sé, Praça da República, Praça João Mendes, Avenida São João e nas “Cinco Esquinas”, na baixada do Glicério. Com os carregadores de caixas, a manifestação ocorria no extinto Largo da Banana, na Barra Funda, onde hoje se localiza o Memorial da América Latina. E, com os estivadores, no Porto de Santos.

A origem da palavra tiririca está no tupi antigo e significa mato rasteiro, um tipo de erva daninha. Nesse jogo de pernada, os valentes tinham prioridade e respeito, e foi nesse jogo que surgiram grandes nomes do samba paulista, como Pato N’Água, Toniquinho Batuqueiro, Silval Rosa, Germano Mathias, entre outros. No Glicério tivemos a presença de uma mulher conhecida como Pé de Vento – caso raro nos encontros da tiririca.

No final dos anos 50 a prática da tiririca foi se extinguindo devido à repressão policial e a perseguição étnica, mas, entre golpes, visagens, danças e batuques, a resistência se fez em nosso samba, em nosso sotaque e em nossa alma.



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