Capoeira e Religião
Capoeira e Religião
A atividade física é uma benção para a saúde, além de aliviar o tipo benefício físico e mental que o esporte irá nos proporcionar.
A capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Hoje em dia ela é considerada um esporte nacional brasileiro e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Embora a capoeira não defenda nenhuma religião e para muitos não tenha nada haver com adoração, a capoeira ainda sofre alguns tipos de preconceitos devido a sua cultura.
“ Mestre Decânio, o mais idoso “Filho de Bimba” ainda vivo, decano da Capoeira Regional, médico e filósofo, pesquisador de capoeira, contribuiu recentemente com interessantes observações, sobre a questão da origem da capoeira. Estudando os ritmos do candomblé, percebeu que o ritmo básico de Logunedê corresponde às batidas do pandeiro na capoeira.
Podemos concluir:
“ O candomblé é a fonte mística... donde brota a magia da capoeira!”
Há grande similitude entre os movimentos da capoeira e os movimentos das danças rituais do candomblé, e outras semelhanças: no candomblé, o ritmo dos atabaques é o nexo entre “ os Orixás e o Vodunce”, assim como na capoeira, o estilo do jogo acompanha a musicalidade do toque.
A capoeira é o processo complexo constituído pela fusão ou caldeamento de fatores de várias origens... dos africanos, herdamos os movimentos rituais fundamentos do candomblé...”
“ Algumas músicas tradicionais falam de santos e orixás e ainda hoje, alguns capoeiristas dedicam letras de músicas a seus “santos protetores”.”
A roda de capoeira começa tradicionalmente após a reza ou ladainha, cantigas que trazem em sua melodia algum enredo, que pode ser de amor, histórico, de disputa, aviso ou louvação. Personagens consagrados e até mesmo míticos nesse universo, como mestre Bimba, mestre Pastinha ou Besouro Mangangá, revivem nas letras entoadas pelos capoeiristas, sugerindo comportamentos e ações corporais que vão da brincadeira ou jogo amistoso à mais cerrada luta.
Trechos de algumas dessas cantigas:
Devagar, devagarinho, Pastinha mandou jogar bem miudinho (domínio público)
Bimba mandou matar, Bimba mandou jogar, Bimba mandou lutar (domínio público)
Reza pra Besouro pra ele poder viver, reza pra Besouro que ele vem te proteger (Mestre Charm)
Vem brincar mais eu, vem brincar mais eu, vem brincar mais eu mano meu, vem brincar mais eu (domínio público)
Compreendemos a roda de capoeira como um importante rito, pois, tal reatualiza o mito, dando sentido às práticas sociais. A preparação religiosa que antecede algumas rodas, a composição hierárquica dos capoeiristas, a disposição dos instrumentos, a bênção ao pé do berimbau antes do jogo, assim como a ordem das cantigas entoadas na roda, são exemplos que possibilitam essa existência atemporal dos personagens míticos da capoeira, que, além de louvados nas cantigas, mantêm algumas de suas práticas vívidas nas rodas atuais. As cantigas, os causos e as metáforas cumprem o papel de revisitar mitos como Mestre Bimba, Mestre Pastinha e Besouro Mangangá, revivendo as ações heroicas desses mestres.
A roda então passa a ser palco metafórico da vida dos capoeiristas, uma espécie de escola que quanto mais se frequenta mais se aprende, constituindo um saber pautado nas diretrizes dos mestres, passadas ao longo dos tempos por mitos como Mestre Bimba, Mestre Pastinha e Besouro Mangangá. Não obstante, encontramos uma variedade de manifestações artísticas, lúdicas e religiosas que acontecem dentro da roda, como o samba de roda, os jogos tradicionais, a umbanda, cirandas, a dança dos orixás etc., que podem também metaforizar a vida real, com seus embates, tensões, estética, ginga, malícia e ludicidade.
O berimbau é o instrumento que comanda toda essa orquestra, marcando o ritmo e o jogo a ser realizado. É maior símbolo de identificação da capoeira, é difícil ouvir seu som e não imaginar um capoeirista em jogo.


https://www.youtube.com/watch?v=u8IoXQo_mSs


https://www.youtube.com/watch?v=MM6L3XexBL4


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